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Arte



Podia falar do teatro que faço há anos (todos somos actores neste palco que é a vida), ou da poesia e prosa que escrevo desde jovem adolescente mas… Toco desde que me conheço.

Sim. Essencialmente através da música tenho encontrado a paz que tanto ambiciono.

Comecei com os tachos e panelas de casa, mas também batendo nos sofás, ou mesmo descobrindo ritmos de noite, que fazia com os dedos e as palmas das mãos no colchão e nos lençóis da cama baixinho, com o ouvido encostado para não acordar ninguém.

Mas também nos vidros dos carros em que entro e nas portas. E em tudo! Até às vezes duma forma tão louca que tenho que me controlar para ninguém achar:

- Mas ele está louco!

Não, meus queridos amigos… não estou: SOU.

Nasci cheio de ritmo dentro de mim. Ritmos quentes, batidas sul americanas, africanas… num misto de sensualidade temperada com muito sentimento.

Simplesmente: NASCI. Foi sempre assim.

E vai ser sempre assim.

Porque a música para mim é paixão, é religião, é amor.

Ofende-me até perguntarem se é um hobbie. Todo eu sou música! Correm notas e tempos dispersos nas veias, não raras vezes emociono-me quando toco ou quando ouço algo que me “toque” e acreditem: se hoje em dia optei – pelo menos até à data - em não viver da música, é tão somente porque;

1.    Só toco aquilo que gosto;
2.    Só toco com quem me apetece;
3.    Só toco onde e quando quero e normalmente para os amigos que escolho;
4.    Quando toco não minto, não escondo, não pondero, não simulo, não finjo,
       não tenho medo, não tenho receios do que pensem, não penso nas regras do
       mercado e em fazer música para vender… simplesmente: TOCO.

Ora, nestas condições será sempre difícil “viver disto”! É o meu território sagrado.

Não negoceio, nem faço cedências! É à minha maneira, ou de maneira nenhuma.

O nível que entretanto atingi e o prazer que me dá tocar não podem ser jamais beliscados. Prefiro o “doce e puro sabor” da partilha e do auto-conhecimento, ao “amargo fel” de ter que tocar porque preciso do dinheiro ao fim do mês.

Evidentemente que a necessidade de outros estímulos intelectuais e a vontade de intervir civicamente fazem naturalmente parte de mim, mas acreditem.


A SENSAÇÃO QUE EXTRAIO MESMO DE UM MERO MINUTO DO MEU PIOR SOLO, SERÁ SEMPRE DIFERENTE DA DE UMA HORA DO MEU MELHOR DISCURSO...

Ou seja, dois mundos que confluem e se entrecruzam mas com o sentimento artístico sempre presente... e forte. "Estou em estado musical constante."




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