É falar de um Homem que nasceu no primeiro dia de Verão nos tempos idos de 1926 e que cuja rectidão, seriedade e dedicação voluntária a causas humanitárias, constituirão para sempre um exemplo para mim, qual sol resplandecente que me ilumina.
No fundo, memórias que felizmente me acompanharão para sempre.
Falar do Comandante Armando Cardoso Soares, é falar de um Homem que recebeu, diversos louvores públicos, inúmeros certificados e cerca de 40 condecorações onde se destacam:
- Medalha Grau Ouro, com risco da própria vida dos Bombeiros Voluntários de Sá da Bandeira (Lubango – Angola), por salvar vidas humanas em plena guerra civil
- Crachá de Ouro da Liga dos Bombeiros Portugueses
- Medalha grau ouro de Mérito Municipal da Câmara Municipal de Oeiras
Foi Presidente do Centro Nacional do Voluntariado, Assessor do Conselho Administrativo e Técnico da Liga dos Bombeiros Portugueses, Administrador Delegado do Jornal “Bombeiros de Portugal”, Comandante no activo durante 19 anos e depois do Quadro Honorário dos Bombeiros Voluntários do Dafundo e seu Presidente da Direcção, até falecer em 11 de Dezembro de 2007.
Em Angola, Comandante dos Bombeiros Voluntários de Sá da Bandeira e Presidente da Direcção, delegado internacional da Cruz Vermelha, representante dos Bombeiros Portugueses em Angola, empresário de sucesso dono da Fábrica de Velas FAVEL entre outros negócios, distinto Vereador da Câmara de Sá da Bandeira e posteriormente seu Presidente.
E tantas, tantas coisas mais… nem sei bem o que escrever.
Uma vida infernal, entre reuniões. Idas para fogos. Emergências. Noites mal dormidas.
Mas foi Pai e amigo.
E a esse nível lembro-me bem da atenção que tive a sorte me ter dedicado. Talvez porque foi meu Pai já tarde, aos 51 anos.
Dele recebi bons conselhos. Acompanhou-me durante toda a minha fase de doença crónica e sacrificou-se física e monetariamente tal como a minha Mãe, para me salvar.
Noites mal dormidas vezes sem conta. Andava comigo “às cavalitas” quando eu aflito não conseguia respirar, na tentativa de chegar mais “perto do ar” e aliviar-me ou pelo menos distrair-me.
E conseguiram. Conseguimos!
Contra todos os vaticínios médicos que antecipavam a minha morte ou questionavam o desenvolvimento do meu corpo: vencemos. Como sempre: juntos.
E continuou a ensinar-me ate ao fim da sua vida, quando o visitava acamado no Instituto Português de Oncologia já débil, continuando a lutar e a lutar até ao último suspiro.
Não raras vezes diziam os médicos em surdina, que não compreendiam como aquele doente em fase terminal persistia. Já não havia esperança e os seus companheiros de quarto iam aos poucos definhando e “abandonando-o”, um a um.
Mas ele continuava. Porque essencialmente a minha Mãe não desistia dele. E porque sempre teve Amor à sua volta.
E visitei-o vezes sem conta. Assim como os meus Irmãos e alguns mais próximos.
Quando já nem forças tinha para falar, agarrava-me na mão e por fim num dedo. Ou simplesmente olhava-me atento.
E eu sabia sempre interpretar essa mensagem. Sempre nos entendemos afinal muito bem…
Sabes bem Pai, tal qual te segredei ao ouvido na noite em que ambos sabíamos que era a última: que não tens com que te preocupar...